Publicação apresenta dados sobre trajetórias de carreira e busca impulsionar políticas de equidade nas instituições de ensino e pesquisa
Por Michel Sitnik (Jornal da USP)

O Fórum Paulista pela Igualdade de Gênero nas Carreiras Científicas e Acadêmicas lançou a 1ª edição do Index da Igualdade de Gênero nas Universidades Públicas do Estado de São Paulo. Para marcar o lançamento da publicação, foi realizada uma reunião, no dia 17 de dezembro, no prédio da Reitoria, com as representantes das seis universidades públicas paulistas – USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de contar com a participação de dirigentes da USP.
Por meio de uma análise comparada da presença de mulheres e homens nos diferentes estágios da carreira docente e em cargos de chefia, o estudo, disponível no Portal de Livros Abertos da USP, oferece um panorama da desigualdade de gênero nas universidades públicas que participam do Fórum e revela as particularidades da questão em cada instituição. Essa comparação foi possível graças a um trabalho pioneiro de harmonização entre as bases de dados, realizado por um grupo interinstitucional formado por representantes de escritórios de dados, docentes e funcionários técnicos e administrativos das seis universidades, nos anos de 2023 e 2024, sob a coordenação da professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), Fátima Nunes, e do assessor da Vice-Reitoria da Universidade, Rodrigo Correia do Amaral.

Além dos gráficos e tabelas com os dados comparativos, o estudo apresenta uma análise dos sociólogos Nadya Araujo Guimarães e Murilo Marschner, professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre o acesso das mulheres ao ensino superior no Brasil e no mundo, desde o fim do século 19. Nesse capítulo, os autores refletem sobre os desafios de cada período e a capacidade que as mulheres têm demonstrado de enfrentá-los e conquistar espaços nas universidades e no mundo do trabalho.
A edição reúne, também, reflexões por parte das dirigentes universitárias que integram o Fórum a respeito das realidades diagnosticadas pelo estudo. As avaliações das professoras Mônica Schroder e Maria Isabel Mesquita Vendramini Delcolli, vice-reitora e pró-reitora adjunta de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da UFABC; Maria de Jesus Dutra dos Reis, vice-reitora da UFSCar; Maysa Furlan, reitora da Unesp; Maria Luiza Moretti, coordenadora-geral da Unicamp; Raiane Patrícia Severino Assumpção e Lia Rita Azeredo Bittencourt; reitora e vice-reitora da Unifesp; e Maria Arminda do Nascimento Arruda, vice-reitora da USP, discorrem sobre como docentes mulheres em posições de liderança enfrentam as desigualdades de gênero e étnico-raciais em suas instituições.
O que os dados revelam
Um evento público realizado em março deste ano, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, e que precedeu o lançamento oficial da publicação, reuniu representantes das universidades envolvidas, pesquisadores e membros da comunidade acadêmica. Na ocasião, a vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, destacou a importância do estudo como um marco para o enfrentamento das desigualdades de gênero no meio acadêmico.
“Hoje é um dia muito especial, pois concretiza um projeto que começou de forma quase informal, a partir de conversas entre colegas sobre uma situação que nos chamou atenção: todas estávamos restritas às funções de vice. Assim, criamos este fórum, inicialmente um espaço de troca, que acabou resultando em uma pesquisa com resultados eloquentes. Durante esse processo, percebemos que as formas mais complexas de discriminação contra mulheres nas universidades não são explícitas, mas sutis, silenciosas, introjetadas a tal ponto que, muitas vezes, nós mesmas não as percebemos. Essa pesquisa, nascida de nossas inquietações, será um legado para as universidades e além delas, fornecendo índices e dados essenciais para repensarmos as questões de gênero no meio acadêmico e abrindo caminho para a compreensão das desigualdades e a formulação de políticas coordenadas para enfrentá-las”, afirmou Maria Arminda, que também liderou a criação do Fórum.
Ela ressaltou que a análise comparativa dos dados revela, de forma concreta, o agravamento do problema à medida que se avança nas hierarquias acadêmicas, especialmente em cargos de liderança e tomada de decisão. Isso evidencia a importância de quantificar aspectos previamente conhecidos, mas que ainda não estavam sistematicamente documentados, como a escassez de mulheres em cargos de direção e liderança nas instituições de ensino superior.
Assista, a seguir, à íntegra do evento realizado em março:

