
A Profa. Dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, renomada educadora, pesquisadora e ativista brasileira, reconhecida também pela atuação na formulação das diretrizes curriculares nacionais para a educação relativas às relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, tomou posse nesta quinta-feira, dia 21 de agosto de 2025, em cerimônia na Sala do Conselho Universitário, como primeira titular da Cátedra Encontro de Saberes. A solenidade foi transmitida ao vivo pelo YouTube.
Criada pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP em 2025, a nova Cátedra tem o objetivo de gerar e disseminar conhecimentos sobre temas de impacto na sociedade em âmbito local, nacional e internacional. Sua formulação se dá a partir de uma visão multidisciplinar, considerando o diálogo entre saberes, a participação em políticas públicas e a importância de temas como sustentabilidade, formação, educação e engajamento social. “A Cátedra Encontro de Saberes deve contribuir de modo amplo para o aprimoramento da democracia no Brasil e, mais especificamente, no aprimoramento das políticas de diversidade na Universidade”, afirmou Miriam Debieux Rosa, pró-reitora adjunta de Inclusão e Pertencimento.
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Na solenidade, a pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Ana Lúcia Duarte Lanna, afirmou que, desde início da Pró-Reitoria, criada em maio de 2022, havia “enorme expectativa em conseguirmos associar as políticas afirmativas e as dimensões do pertencimento com a excelência acadêmica”. Para ela, “a ideia de fazermos uma cátedra – e uma cátedra que se chama Encontro de Saberes, com [a professora Petronilha] como primeira catedrática – simboliza e agrega todas essas expectativas”.
Na mesma linha, a professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, vice-reitora da USP destacou que “a criação dessa cátedra é o coroamento do lugar que a Pró-Reitoria adquiriu no âmbito da Universidade de São Paulo e o reconhecimento dessa inovação”.

Em seu discurso de posse, a professora Petronilha enfatizou o papel decisivo das instituições de ensino – notadamente de Ensino Superior – na construção da sociedade, na reflexão sobre os tipos de projeto de nação almejados, e como espaços para diálogos – e divergências – na construção do comum. “Nós não somos só professores que ensinamos coisas para pessoas que vão se valer delas para construir unicamente a sua carreira individualmente. O nosso papel de docentes e de pesquisadores – e de formação desses pesquisadores e talvez futuros docentes – é muito maior”.
Na conclusão da cerimônia, o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, cumprimentou a catedrática e refletiu sobre a importância da Universidade manter trocas constantes com saberes produzidos fora do espaço acadêmico e também com pesquisadores provenientes de outras instituições. “As cátedras foram criadas na Universidade com o grande desejo de interagir com a sociedade”.
Sobre a catedrática
Nascida em Porto Alegre (RS), em 1942, Petronilha possui mestrado e doutorado em Educação e cursou especialização em Planejamento e Administração da Educação no Instituto Internacional de Planejamento da UNESCO, em Paris. Fez estágio de pós-doutorado em Teoria da Educação na África do Sul. Atualmente é professora titular na UFSCar, docente sênior junto ao Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas do Centro de Educação e Ciências Humanas em Ensino-Aprendizagem e Relações Étnico-Raciais, e doutora honoris causa pela Universidade do ABC (2022).
É autora de importantes obras em educação antirracista, como “Histórias de operários negros”, “O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos”, entre outros.
Tem recebido diversos prêmios e homenagens por seu trabalho. Em 2025, por exemplo, foi criado o Selo Petronilha pelo Ministério da Educação, por meio da Diretoria de Políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (DIPERQ/SECADI). Integrado à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), o Selo promove o fortalecimento institucional das redes públicas que desenvolvem políticas educacionais voltadas à equidade racial e quilombola.
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