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Consolidar e compartilhar a experiência de ser uma Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento

À frente da mais nova das Pró-Reitorias da USP, Patrícia Gama assume com a missão de consolidar as ações que já foram implantadas e compartilhar o conhecimento adquirido em temas como heteroidentificação, saúde mental e enfrentamento do assédio

Por Erika Yamamoto (Jornal da USP)

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Patrícia Gama | Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Prestes a completar quatro anos de existência, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) centraliza e coordena as ações da Universidade voltadas para as políticas afirmativas e de permanência, atuando em questões étnico-raciais, socioeconômicas, de gênero, de saúde mental, de deficiências, de memória e de direitos humanos.

“Nós temos a missão de consolidar as ações e dar continuidade ao que foi iniciado na construção dessa Pró-Reitoria. Por ser jovem e pioneira, a PRIP é um exemplo para a sociedade e mostra maneiras de como lidar com temas relacionados à inclusão e pertencimento, mas isso não significa que devemos tomar as decisões sozinhos, sem uma ampla discussão, e que não podemos aprender com as iniciativas das universidades”, afirma a nova pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Patrícia Gama.

Patrícia era membro da Comissão de Atividades Acadêmicas quando a proposta de criação da PRIP foi encaminhada ao Conselho Universitário e foi uma das responsáveis pelo parecer favorável. Ela explica que “não havia, até a criação da PRIP, nenhuma universidade que dedicasse uma Pró-Reitoria a temas como inclusão, pertencimento e diversidade. Por isso, pretendemos aproveitar o que aprendemos e disponibilizar esse conhecimento por meio de ações educativas, de letramento, sobre temas complexos como heteroidentificação, saúde mental, diversidade e relações étnico-raciais. Levar esse conhecimento para além dos muros da Universidade será uma das principais marcas dessa gestão”.

Compartilhando o conhecimento adquirido

Um dos pontos em que a USP pode contribuir é o do letramento em processo de heteroidentificação. Desde 2023, a PRIP oferece treinamentos para capacitar pessoas a atuar em bancas de heteroidentificação, tanto para o vestibular quanto para concursos públicos de servidores e docentes.

“A ideia, agora, é transformar esse treinamento em um curso de difusão, que poderá ser oferecido a todos os que tiverem interesse no tema. Vamos aproveitar o caráter transversal da PRIP para atuar em parceria com outras Pró-Reitorias e órgãos da Universidade e desenvolver cursos sobre assuntos de interesse da sociedade.”, explica Patrícia.

Outro tema interessante para essa base de cursos é o de enfrentamento de situações de assédio, aproveitando o conhecimento adquirido pelo Sistema USP de Acolhimento (SUA). “As pessoas precisam ter acesso a informações sobre o que, de fato, pode ser caracterizado como assédio, como podemos lidar com os diferentes tipos de conflito e como é o processo de acolhimento, registro e responsabilização para situações de assédio, discriminações e violações de direitos humanos. Já produzimos vídeos sobre o tema, mas queremos também desenvolver um curso de capacitação”, explica a dirigente.

Também está em fase de planejamento iniciativas educativas abordando temas gerais como vida financeira, com cursos que poderão ajudar tanto os jovens estudantes que começarão a lidar com o sistema bancário pela primeira vez, quanto docentes e servidores que se preparam para a aposentadoria.

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Patrícia Gama | Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Esportes, bem-estar e saúde mental

Em relação ao fortalecimento e à continuidade de iniciativas já implantadas, um dos principais avanços da PRIP foi na área de saúde mental, com a criação do Programa ECOS – Escuta, Cuidado e Orientação em Saúde Mental, que oferece acolhimento e orientação para as demandas de saúde mental de toda a comunidade universitária.

O programa atua em três frentes principais: a escuta individual, com atendimentos pontuais; a articulação de uma rede de cuidados em saúde mental nos municípios onde estão localizados os campi da Universidade; e o oferecimento de orientação e apoio institucional a diferentes grupos que desenvolvem iniciativas voltadas para a promoção da saúde mental.

“Tivemos um ganho importante, com a criação dos pontos de cuidado, contratação de psicólogos e servidores. Agora, nossa intenção é ampliar a rede de apoio e promover o engajamento em atividades voltadas para o esporte e bem-estar, como forma de diminuir as condições de estresse na Universidade e apoiar a saúde mental de toda a comunidade”, ressalta a dirigente.

Nas próximas semanas, a PRIP deverá se reunir com a Liga das Atléticas para discutir ações que poderão ser desenvolvidas em conjunto para ampliar o engajamento em atividades esportivas, incentivando a boa competição e o sentimento de pertencimento na comunidade uspiana.

Mediação de conflitos

Em relação à Diretoria de Direitos Humanos e Políticas de Reparação, Memória e Justiça, a nova gestão pretende trabalhar na formação de grupos de mediação de conflitos.

“Nesses quatro anos, com o projeto Diplomação da Resistência, a PRIP concluiu uma importante ação de reparação em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da USP. Agora, trazemos outros elementos para desenvolver novas iniciativas nessa área, pretendemos estruturar um sistema de mediação na Universidade, com o treinamento de mediadores capazes de resolver conflitos rotineiros e evitar o excesso de judicialização”, explica Patrícia.

Permanência estudantil

Uma das principais atribuições da PRIP é gerenciar o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atende a 16 mil estudantes de graduação e pós-graduação da USP com dificuldades socioeconômicas e é considerado o maior programa de permanência estudantil do Brasil.

A pró-reitora explica que o valor total investido pela USP no PAPFE não inclui os gastos com as moradias dos campi do interior, que são ligadas às prefeituras dos campi, ou seja, o montante total investido em ações de permanência é ainda maior do que o divulgado. “Embora a PRIP tenha uma orientação geral para todos os campi, queremos estreitar ainda mais essa relação para poder avaliar melhor todas as ações de permanência estudantil que são oferecidas pela Universidade”, afirma Patrícia.

Nesse sentido, a Pró-Reitoria também deverá reforçar o programa USP Diversa, que capta recursos de pessoas físicas e jurídicas interessadas em financiar bolsas para estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O programa tem como embaixadora a cantora Marisa Monte.

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A pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Patrícia Gama, e o pró-reitor adjunto José Ricardo Ayres | Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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