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Após reforma, Bloco D do CRUSP começa a receber novos moradores em setembro

As novas instalações oferecem cozinhas e lavanderias individuais, além de espaços para convívio e outras melhorias. O prédio conta, também, com seis apartamentos especialmente adaptados para residentes com mobilidade reduzida

Por Michel Sitnik (Jornal da USP)

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Bloco D do CRUSP começa a receber os novos moradores em setembro | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Após quatro anos de obras, o Bloco D do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) vai começar a receber novos moradores – estudantes selecionados a partir dos critérios socioeconômicos do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) – a partir de setembro. O prédio tem cerca de 4,6 mil metros distribuídos em seis pavimentos.

A ocupação dos espaços começará pelos alojamentos dos 4º, 5º e 6º andares, que já estão completamente mobiliados. No total, o edifício oferece 200 vagas, distribuídas em 69 apartamentos com áreas entre 35 e 40 metros quadrados. Cada unidade padrão possui três dormitórios, cozinha, área de serviço e banheiro. As cozinhas estarão equipadas com utensílios como cooktops elétricos e purificadores de água, o que é uma novidade em relação aos demais blocos, onde os espaços para preparo de refeições são coletivos. 

Outra inovação é a presença de lavanderias em cada unidade, com tanque, varais e instalações para máquina de lavar, também diferentemente das outras unidades, que dispõem de lavanderias compartilhadas. A renovação dos apartamentos inclui as redes elétricas, o sistema hidráulico e a pintura completa. As esquadrias também foram restauradas e nas bases das janelas foram colocadas pingadeiras de granito, solução para os problemas de infiltração que costumam atingir unidades do CRUSP. 

Os vidros instalados são mais resistentes a quebras. O suprimento de água passará a ser mais estável e menos suscetível às reduções de pressão da rede, já que a construção conta com reservatório elevado e sistema de bombeamento. Entre as intervenções estruturais, foi construída uma nova escada enclausurada, equipada com portas corta-fogo e adequada às normas atuais de segurança para rotas de fuga em emergências. As escadas originais permanecem disponíveis para uso cotidiano, funcionando como acessos sociais.

Houve, também, importantes implantações e reformas para acessibilidade. Seis apartamentos foram projetados para atender cadeirantes, cada um com dois quartos, somando 12 vagas acessíveis. Ao mesmo tempo, um novo elevador foi instalado. Os dois antigos, dos anos 1960, foram modernizados e mantidos, mas seguiam um conceito hoje defasado, em que as paradas ocorriam em níveis intermediários. 

O edifício contará com um bicicletário, seguindo a implantação já realizada pela PRIP em outros blocos. A medida organiza a guarda das bicicletas, bastante utilizadas pela comunidade estudantil, e que, até então, eram deixadas de forma dispersa em corredores e áreas comuns, prejudicando a circulação e a segurança.

Para a pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Ana Lucia Duarte Lanna, a entrega marca um momento importante. “A moradia estudantil deve ser um espaço qualificado e resguardado dentro e fora dos apartamentos”, defende. 

“A reforma do Bloco D – que teve início em agosto de 2021 – apresenta uma nova realidade para os seus futuros ocupantes: uma moradia mais segura, com controle de acesso e infraestrutura renovada. Além disso, o espaço ganha possibilidades de convivência para o conjunto da comunidade do CRUSP.  Moradores de todos os blocos ganharão um ponto de encontro e convívio. O térreo será uma área aberta e se integra às ações da PRIP de criação de espaços livres qualificados, como os já implantados no Bloco E e a recém-inaugurada academia ao ar livre”, destaca a pró-reitora, ressaltando como devolver este espaço totalmente modernizado aos estudantes significa reforçar o compromisso da Universidade com a permanência estudantil.

Obras complexas

As melhorias do Bloco D funcionarão como um projeto piloto para futuras reformas dos demais sete blocos. Entre as mudanças, estão a adoção de áreas comuns no térreo, com um vão livre coberto, grandes áreas de circulação comuns e uma sala de convivência mobiliada para estudo, alimentação, lazer e socialização, criando espaços que serão abertos a toda comunidade do CRUSP e que retomam características e conceitos do projeto original do conjunto que haviam sido perdidas ao longo dos anos. 

As portarias estão equipadas com controle eletrônico de acesso por reconhecimento facial, semelhante aos utilizados nos condomínios, com apoio de porteiros que atuarão na entrada de visitantes e outras demandas cotidianas. Câmeras de segurança também serão instaladas nos acessos, corredores e áreas coletivas. Em cada andar, os moradores terão espaços de socialização e de estudo, com mesas, cadeiras e estantes com livros e material de apoio.

“Trata-se de um projeto bastante complexo, que envolveu muito diálogo ao longo do processo. Com isso, foram sendo implementadas modificações que atendessem às sugestões dos estudantes e da equipe da PRIP”, conta a arquiteta Isis Soares, da Superintendência do Espaço Físico (SEF), que participou da execução das obras desde o começo do processo. “No início, a intenção era de uma obra mais pontual, focada em aspectos de segurança e acessibilidade e que atingiria de forma mais direta as áreas comuns como elevadores, corredores e escadas. As intervenções no interior dos apartamentos seriam mínimas. No entanto, ao vistoriar as instalações e as estruturas das edificações, descobrimos que a situação era de grande precariedade e que seria necessário um trabalho mais amplo, o que levou a um projeto de retrofit total”, explica.

Em 2022, ocorreu uma coincidência que, apesar de ter implicado em um atraso na entrega, acabou permitindo uma mudança de rota no planejamento inicial: “A construtora que estava contratada para executar as reformas enfrentou uma séria dificuldade financeira e se viu incapacitada de entregar o serviço, o que exigiu uma licitação adicional. Neste momento, aproveitamos para refazer o projeto, incluindo todos os ajustes e melhorias cuja necessidade havíamos identificado”, comenta Isis.  

O superintendente do Espaço Físico, Miguel Buzzar, lembra a importância histórica e simbólica do CRUSP: “Ele foi projetado pelo arquiteto Eduardo Kneese de Mello, inicialmente para alojamento de atletas dos Jogos Panamericanos de 1963, mas já visando acelerar o processo de ocupação da Cidade Universitária, até então muito incipiente. De lá até os dias atuais, houve diversas situações, como invasão militar, esvaziamento, retomada, algumas reformas e um prédio novo construído [Bloco A1, em 2010]”. 

Buzzar pontua a função que essas construções desempenham para a vida universitária: “O Cursp precisa propiciar condições arquitetônicas, construtivas, de segurança e acessibilidade universal para que, junto com as demais ações de inclusão e pertencimento, possibilite condições dignas de moradia e permita que os estudantes realizem suas atividades acadêmicas com tranquilidade e serenidade”.

Primeiros moradores

Para dar início à distribuição das vagas, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento realizou uma reunião aberta à comunidade estudantil, no dia 15 de agosto, para apresentar atualizações e esclarecer dúvidas a respeito da ocupação do bloco. Em seguida, nos dias 21 e 22 do mesmo mês, estudantes, acompanhados pelo arquiteto da PRIP,  Artur de Souza Duarte, puderam visitar os espaços. 

“O bloco será destinado exclusivamente a alunos de graduação e, no primeiro momento, a prioridade será de quem está atualmente no Bloco F, o mais antigo do conjunto, ou de apartamentos com problemas estruturais. Cerca de 65 interessados já se inscreveram preliminarmente e as primeiras transferências devem ocorrer na primeira quinzena de setembro, com o apoio de empresas especializadas contratadas pela PRIP para realizar a movimentação de pertences”, explica o arquiteto, que ressalta, ainda, a intenção de que a comunidade crie uma cultura de cuidado e vida comunitária no local: “Um exemplo é que todos os que se mudarem para o novo prédio participarão de um curso de brigada de incêndio, medida que reforça a cultura de segurança no conjunto e garante que os estudantes estejam preparados para agir em situações de emergência, contribuindo para a proteção coletiva e para a preservação do patrimônio”. 

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Texto publicado originalmente no Jornal da USP em 28 de agosto de 2025.

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